"Mangueirazzo"

Depois de um jogo épico, com decisão nos penais, Independente leva ao interior o primeiro título estadual.

Gustavo Ferreira

A tarde deste domingo, 26 de junho de 2011, entrou para a história do futebol paraense. Pela primeira vez em 99 edições da competição, a hegemonia dos times de Belém foi encerrada com talento, garra e sorte. Vem de Tucuruí o campeão paraense de 2011. É o Independente, que escreveu seu nome pra sempre no livro dos vencedores, e reforçando que o Pará, se falando de futebol, é cada vez maior.
Pouco mais de 21 mil torcedores foram ao Mangueirão, a maioria acreditando no tricampeonato do Paysandu, após um empate heróico no primeiro jogo, em Tucuruí, na semana passada. Os torcedores de Tucuruí eram movidos pela esperança de uma conquista inédita para o interior do estado. E o que todos viram foi um jogo em 3 partes, uma alternância que, no final, favoreceu o Independente.
PRIMEIRO ATO O jogo começou estudado, com as equipes tocando bola e arriscando algumas oportunidades de gol. Até que Sidny, de falta, abriu o placar aos 12 minutos e começou a festa alvi-celeste no Mangueirão. O que aconteceu depois foi um verdadeiro massacre do Galo Elétrico sobre o Paysandu.
Dominando a partida, o Independente fez 3 gols ainda no primeiro tempo, melhor do que muitos torcedores imaginavam, até ao mais confiantes. O Papão, abatido, teria que fazer um verdadeiro milagre nos próximos 45 minutos, para tentar tirar das mãos do rival a taça.
VOLTA POR CIMA E foi assim, pressionado, a mil por hora, que o Paysandu voltou para a segunda etapa. O que o time da capital teria que fazer era nada menos do que jogar os melhores 45 minutos da década. E os ingredientes de um jogo memorável estavam ofertados.
Épico! O Independente até que tentou equilibrar a situação, mas os bicolores estavam irredutíveis em correr atrás do prejuízo. Héliton, depois da falha do goleiro do Independente, Osnir, na cobrança de falta de Sidny, marcou aos 9 minutos e incendiou a torcida. Mas foi aos 44, depois de muito sofrimento, que Sandro acertou um chutaço de fora da área, empatando o jogo, matando 30% dos torcedores bicolores cardíacos, e levando a decisão para os pênaltis.
O CANTO DO GALO Na memória do torcedor bicolor, decisão de pênaltis sempre estava relacionada a grandes conquistas (como os títulos dos anos 2000, sobre o Remo, nos tempos áureos do goleiro São Ronaldo, e a Copa dos Campeões de 2001, sobre o Cruzeiro). Até hoje, quando os penais também tornam-se sinônimo de vexame.
Fábio, Lima e Adson marcaram para o time de Tucuruí, e o Paysandu não conseguiu sequer um acerto. Sidny, Rafael Oliveira (o exemplo de decadência do time depois do título do 1º turno) e Mendes chutaram para fora, e nem precisaram consagrar o goleiro Osnir para consagrar o Independente, o novo campeão paraense de 2011. A festa no interior demorou muito, 103 anos, para começar. Mas agora ela não tem hora pra acabar.
MAIS UM O Paysandu, time vitorioso há poucos anos atrás, se desencontrou depois do título inconteste do 1º turno do Parazão, mas não resistiu ao ímpeto do Independente. Perdeu para seus próprios erros, dentro e fora de campo. Perdeu para sua arrogância, com que os jogadores tentaram esconder a falta de qualidade técnica, física e psicológica. Perdeu para um time correto, sem estrelas, sem uma folha de pagamento fora da sua realidade, sem carradas de contratações mal feitas. Perdeu para o estigma furado da “camisa”, da tradição, que há muito não ganham jogos sozinhas.
Se pode haver consolo diante desta queda homérica, que seja o aprendizado. Que os “gerentes” incapacitados e sanguessugas aprendam a respeitar o time que comandam com tamanha irresponsabilidade. Que a derrota inédita sirva para acordar todos os dirigentes do nosso futebol rasteiro, prepotente e, acima de tudo, auto-sabotador, para a realidade dura que vivemos. Hoje o mérito é total do Independente, uma equipe competente, que soube vencer com o que tinha. Acordem!
Desde o Icasa, na Série C de 2009, o castelo de areia em que os nossos dirigentes insistem em nos convencer que seja o futebol paraense começou a ruir, as máscaras caem, e os nossos clubes vão junto. Até quando? Até quando o Paysandu, 44 vezes campeão paraense, duas vezes campeão brasileiro da Série B, única presença do norte na Libertadores da América, vai continuar a entrar na história pela porta dos fundos?
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