Vlogue #8

Depois de merecidas férias (?), o Repórter E está de volta com o Vlogue, trazendo a polêmica envolvendo a Lei Geral da Copa, o caos financeiro mundial, a abertura do Rock in Rio e muito mais. Confere!
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UFPA acolhe imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré

Pelo segundo ano consecutivo, a imagem usada nas procissões oficiais é levada em procissão na Cidade Universitária, nesta quarta (21). Corda é novidade.

Gustavo Ferreira
Saída da procissão, do Hospital Universitário Bettina Ferro
(Foto: Gustavo Ferreira)
Há 18 dias do Círio, foi a vez dos Campi da UFPA, no bairro do Guamá, receberem a imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré. A procissão saiu do Hospital universitário Bettina Ferro pouco depois das 7h30 da manhã desta quarta, e percorreu um longo caminho até o Centro de Eventos Benedito Nunes, no Campus Básico. Repleto de homenagens, o percurso da caminhada passou por vários pontos da Cidade Universitária e atraiu muitos fiéis para acompanhar sua passagem.
A terceira edição do Círio UFPA reuniu cerca de 400 pessoas, entre alunos, professores e funcionários da instituição, e trouxe uma grande novidade: com 49 metros de comprimento, uma corda cercou os fiéis próximos ao andor, com a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Homens e mulheres se revezavam na condução do pesado símbolo da procissão.
PRESENÇA NA ACADEMIA Evento oficial do Calendário de Peregrinações do Círio, segundo a Arquidiocese de Belém, o Círio na UFPA é um dos momentos mais esperados pela comunidade acadêmica, composta em sua maioria por alunos (mais de 22 mil, segundo dados de 2010, da própria Universidade).
Fogos homenageiam a imagem peregrina de Nossa Senhora,
em frente ao Hospital Bettina (Foto: Gustavo Ferreira)
O Padre Sílvio Jaques, da Paróquia de Nazaré, diz que vê a procissão como um motivo para resgatar a fé católica nos jovens. “O intuito é trazer de volta a vivacidade católica, a porcentagem divina destes, que serão futuros administradores do mundo”, afirma. Para ele, o Círio de Nazaré tem este poder.
Mulheres guiam a corda, novidade deste ano no Círio
da UFPA (Foto: Gustavo Ferreira).
Para Elizia Lopes, funcionária do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), há 34 anos na Instituição, a presença de Nossa Senhora de Nazaré “é importante para toda a comunidade acadêmica, que precisa muito deste ato de fé, para trazer paz a todos, dentro e fora da Universidade”.
Segundo o Pe. Sílvio, no futuro esta procissão será cada vez mais reconhecida: “com mais divulgação e incentivo, em dez anos será feriado aqui dentro da UFPA, e a procissão atrairá mais e mais fiéis. Isso aqui estará lotado”.

MISSA Por volta de 9h10, a procissão chegou ao Centro de Eventos Benedito Nunes, onde foi recebido por vários funcionários e pelo Coral Metropolitano de Belém. A imagem foi recebida pelo Reitor, Carlos Maneschy, e foi conduzida até o auditório, onde foi celebrada uma missa, pelo Arcebispo de Belém, Dom Alberto Taveira.
Imagem é conduzida até o Centro de Eventos Benedito Nunes, para a missa celebrada por D. Alberto Taveira. (Foto: Gustavo Ferreira)

Em seu sermão, D. Alberto disse que “o Círio é um espaço de acolhida, de todas as pessoas e culturas, e que deve ser sempre assim”. No final, Maneschy falou sobre a importância da presença de Nossa Senhora na UFPA. “A ciência e a fé se unem, mostrando aqui que não são antagônicas, e sim as duas devem estar atreladas, complementares”, disse o Reitor. 

Reitor da UFPA, Carlos Maneschy falou
 sobre o Círio na Universidade (Foto: Gustavo Ferreira)
Após a missa, dona Elizia expressou toda sua alegria em ver Nossa Senhora de Nazaré tão perto. “A emoção é muito grande, de estar aqui, tão próxima, poder tocar o manto. No Círio isto é impossível. Me sinto honrada”.

Cultura para todos no Rock Rio Guamá 2011

Com novo conceito, festival destacará a música e outras manifestações culturais regionais.

Gustavo Ferreira e Marlon Leal
Surgido nos anos 80,década de ouro do rock nacional, o Rock Rio Guamá, evento organizado por alunos da UFPA, chega a sua 5ª edição em outubro, prestigiando bandas e artistas da cena musical paraense. Com uma identidade própria, o festival mudou seu nome – antes Rock In Rio Guamá, parodiando o Rock In Rio – mas continua com a proposta de divulgar a cultura amazônida.
Segundo Karina Menezes, integrante da Comissão de Comunicação, “o objetivo do festival é incentivar essa produção cultural existente na Amazônia, por isso a preferência por trabalhos que são cem por cento autorais – temos muita coisa legal sendo produzida por aí, mas só recentemente os espaços começam a se abrir para mostrar essas idéias”.
(Foto: Perfil do RRG no Facebook… Ou digo Divulgação?)
DIVERSIDADE Grande parte dos eventos musicais que acontecem no Campus são shows de forró e reggae, sempre atraindo um grande número de alunos. Neste ponto, o Rock Rio Guamá aparece como mais uma opção de divertimento e cultura para a comunidade acadêmica e as demais pessoas.
A importância deste evento, segundo Karina, “é mostrar que a comunidade universitária é heterogênea, temos pessoas com todos os tipos de gostos musicais, ideologias, personalidades. É mostrar e até incentivar, que outros grupos se organizem, busquem seu espaço e se mostrem. Acima de tudo, a universidade deve ser um espaço de tolerância para com toda essa diversidade”.
PROGRAMAÇÃO Não apenas de shows o Rock Rio Guamá será composto. O evento será dividido em duas partes: a “estruturante”, voltada à troca de idéias sobre música, teatro, dança e o que mais for produção cultural da Amazônia, e a “artística” que contará, além dos shows, com exposições fotográficas e intervenções de artes visuais.
Além de valorizar a heterogeneidade cultural da comunidade acadêmica, o festival traz a marca da arte regional como instrumento de integração entre os alunos de diferentes cursos. O Rock Rio Guamá conta com a participação de diversos centros acadêmicos, como o CACO (Comunicação Social) e o CACS (Ciências Sociais).
Além destes, a Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), coletivos culturais, como o Sala Livre, Curupira Antenado e Polifônico, junto com a Ná Figueiredo, a Rede Cultura e a Fundação Cultural do Pará Tancredo Neves também apóiam o festival. A primeira parte (estruturante) ocorre de 17 a 21, e a segunda (artística), de 25 a 28 de outubro, no Campus da UFPA. Mais informações AQUI.

*Matéria para a disciplina “Lab. de Jornalismo Impresso I” da UFPA, com o prof. Manuel Dutra.

11/9: a primeira década da (nova) história

Nova York, anos 70. (Foto: The New York Times)

Acho que era dia de prova na escola, por isso saí tão cedo. Lembro de, enquanto voltava para casa, parar em um barzinho da esquina, porque algo chamava a atenção. Era o aparelho de TV, que mostrava um prédio pegando fogo. Mal sabia eu, bem como a maioria do planeta que estava em frente a um televisor, naquela terça-feira de setembro, que estávamos nos transformando em testemunhas da história.

Várias histórias passaram a ser contadas de outra forma, após o 11 de setembro. Uma delas, talvez a principal, foi o terremoto que a ousadia da Al-Qaeda causou, não apenas fisicamente. Os brios dos americanos, tradicionalmente acostumados a se sentirem no topo do mundo, em vários aspectos, foram destroçados por aqueles quatro aviões. A imagem de perfeição da maior potência do mundo ruiu, junto com as duas torres. O dicionário dos americanos passou a definir uma palavra, que nem sequer passava pela cabeça deles: vulnerabilidade.
Outras palavras, como terrorismo, medo, trauma, queda, todas estas e mais enriqueceram o vocabulário de um povo tão pobre em esperanças, tão menos seguro. Exclusividade yankee? Muito pelo contrário. Se até os Estados Unidos, vejam bem, os ESTADOS UNIDOS foram atacados, que dirá o nosso Cristo Redentor, o Palácio do Planalto…
Um presidente eleito sob suspeitas, com a obrigação de segurar a América após a tragédia, George W. Bush partiu para o ataque contra o Afeganistão, contra o Iraque, contra meio Oriente Médio, partindo da premissa de “combate ao terror”. Ora, um país acostumado a protagonizar grandes guerras, agora instaurava uma, no papel de vítima, totalmente inédito. Difícil saber quem sofreu mais. Se os parentes de quem perdeu a vida no World Trade Center, no Pentágono e na Pensilvânia, ou se os Estados Unidos como império da segurança e do ego inflado de quem sempre se orgulhava do papel de vencedor.
Ninguém venceu.
Nestes últimos dez anos, entrar e sair do país se tornou operação de guerra. O esquema de segurança foi reforçado, excessivamente ou necessariamente, para evitar situações parecidas. Os alvos mais visados ganharam atenção especial. Ameaças biológicas, como o Antrax, se tornaram foco de estudo e discussão entre os médicos e cientistas de todo o planeta. O mundo árabe, com seus desejos, manifestos de maneiras cada vez mais sangrentas, ganharam destaque na imprensa, nos livros de história, nas discussões políticas. Quem não os via, agora os teme.
No Iraque e no Afeganistão, as batalhas contra os grupos extremistas, que talvez mascarassem as reais intenções estadunidenses, deixaram um rombo na economia, duzentos mil civis mortos e dividiu opiniões. Uns concordam com a invasão, defendendo a idéia de proteção da soberania nacional. Outros condenam as guerras, que só serviriam de isca para outros atentados. Uma certeza se manteve intacta: tudo mudou.
As relações políticas, institucionais, internacionais, internas, interplanetárias, tudo mudou. O que era poder absoluto se tornou dubitável. A incompreensão entrou na discussão, a religião e os conflitos entre mundos distintos ganharam valia, por parte dos grandes chefes de Estado mundo afora. Eles não estavam de brincadeira. Faltava apenas um grande ato para mostrar ao planeta do que um povo é capaz, por vingança, por respeito, seja pelo que for.
Três mil vidas foram ceifadas, pessoas foram elevadas a categoria de heróis, outras desceram ao limbo dos vilões, e não se fala mais em supremacia como antes. Atentados em Londres, em Madri, recessão e crise econômica global, mudanças no cenário político do planeta, tudo fruto, de alguma forma, daqueles atentados.
Até mesmo o crescimento o Brasil, por que não dizer? A ALCA, famigerado projeto de George Bush, o pai, deixou de ser executado pelo seu filho, em prol da luta anti-terror. As prioridades mudaram, e nós nos livramos, por hora, do fantasma da submissão eterna. Eu concordo, ainda não deixamos de ser colônia, mas já fazemos algum barulho.
Não apenas os corações militar e econômico dos Estados Unidos foram atingidos naquele dia. Idéias, prospecções, preconceitos, sentimentos também viraram cinzas, ao redor do mundo. Perguntas surgiram, respostas não respondiam mais, verdades se tornaram mentiras, o real e a ficção se misturaram naquele roteiro que nenhum cineasta conseguiria imaginar, no auge de sua genialidade. Aqueles aviões acertaram cada um de nós, o fogo arde até hoje, e o eco daquele 11 de setembro de 2001 ainda assombrará muitas outras gerações.

Esses foram apenas os dez primeiros anos da nova história da humanidade.

Nova York, 2011. (Foto: Mark Lenninham/AP)

Dois olhares sobre o RU

Um estudante e uma funcionária opinam sobre as atuais condições do Restaurante Universitário da UFPA. Organização e higiene são os principais pontos.

Gustavo Ferreira e Marlon Leal

Conhecido pela comida barata e pelas filas assustadoras, o Restaurante Universitário (RU) do Campus Básico da UFPA, prestes a comemorar 18 anos de funcionamento, recebe centenas de alunos, professores e servidores diariamente, no almoço e no jantar. 

A aglomeração de pessoas reflete o seu sucesso e, ao mesmo tempo, uma estrutura cada vez mais insuficiente para recebê-las. Para alunos e funcionários, um ambiente que precisa de reparos, sob pontos de vista distintos. Entrevistamos um aluno de graduação e uma funcionária, cada um relatando suas impressões sobre um dos pontos de encontro mais famosos da Universidade.

SENHAS E DESPERDÍCIO Adilson Figueiredo, aluno de Odontologia (localizado no Campus Profissional), conta que almoça no RU quando precisa estagiar no Campus Básico, e queixa-se sobre a falta de senhas para organizar a bagunça nas filas. “Ter senha é questão de ser justo, pois agora, sem as senhas, a aglomeração é constante. Acho que elas (as senhas) deveriam voltar”, disse o estudante.

Em contrapartida, a cozinheira Nazaré Almeida, que começa seu turno ás 6 da manhã, afirma: “melhorou muito sem senha, elas causavam muito transtorno. Inclusive houve um caso de agressão a uma funcionária, no RU do (campus) Profissional, há uns meses atrás, por conta das senhas”. Até agora, segundo ela, não houve nenhuma queixa contra o sistema atual.

Perguntados sobre o desperdício de alimentos após as refeições, Nazaré e Adilson têm visões diferentes. Enquanto para o estudante, o índice de rejeição é elevado, a funcionária considera o mesmo índice normal. “O que os alunos deixam mais é farofa, salada. O principal, eles comem”, segundo a cozinheira.

HIGIENE Um dos maiores incômodos para quem come no RU é o constante tráfego de cachorros entre as mesas. Mesmo com a simpatia de alguns jovens, a circulação dos caninos vai de encontro às principais leis de higiene. Neste aspecto, os dois entrevistados concordam ao afirmar que a presença dos animais é ruim.

Nazaré conta que os funcionários tentam buscar uma solução para o problema, perante os órgãos administrativos, e que a cozinha está livre de qualquer invasão dos animais. “É higiênica”, segundo ela, que também culpa os “alunos-porcos” para a presença dos cães no RU: “eles (os alunos) também contribuem, dando comida pros cachorros. Aí eles se acostumam e sempre voltam”.

Para Adilson, a solução seria “tirar os animais” do recinto, reforçando a segurança nas entradas do Restaurante. “Além de trazerem doenças, os cachorros atrapalham a gente na hora das refeições. O jeito seria fazer com que eles não pudessem entrar”, disse o estudante de Odontologia.

*Matéria produzida para a disciplina “Laboratório de Jornalismo Impresso I – Redação”, do prof. Manuel Dutra.