Campina: mistura entre história e desenvolvimento reflete desigualdades

Violência, drogas e prostituição fazem parte do cenário de um dos bairros mais tradicionais da capital. Pobreza e riqueza dividem maior avenida do centro financeiro.

Gustavo Ferreira

Vista aérea da Praça da República, ícone do bairro. (Foto: Jean Barbosa)
Um dos primeiros bairros de Belém, a Campina guarda o bucolismo de outrora, misturada com traços de um desenvolvimento mal-estruturado.  Prédios altos, modernos, ao lado de casas com fachadas azulejadas, herança portuguesa. As casas antigas, os comércios tradicionais de família, hoje dividem espaço com grandes bancos. E a convivência entre esses dois mundos revela graves problemas sociais.
A Avenida Presidente Vargas, antiga 15 de Agosto, reconhecida como o centro financeiro da capital, é um dos maiores exemplos de desigualdade entre ricos e pobres no bairro da Campina. Dezenas de moradores de rua dormem em frente às lojas e ao edifício-sede dos Correios. O mesmo acontece nas proximidades do Hotel Hilton, o segundo da rede no Brasil (além do Hilton Morumbi, em São Paulo).
Rosa Maria Aquino, moradora do edifício Palácio do Rádio há mais de 20 anos, diz que o poder público não olha pelos mendigos que vivem no local, e que este é u problema comum do bairro: “eu passo por aqui todos os dias e fico triste com a situação deles, não apenas na Presidente Vargas. No Espaço da Palmeira e na própria Praça da República, eles são muitos”.
VIOLÊNCIA Outro problema freqüente na Campina são os assaltos. Mesmo não estando entre os bairros mais violentos de Belém, os casos são constantes, em geral pequenos furtos. Carlos Santos trabalha como segurança particular no local e conta várias histórias curiosas: “a maioria dos assaltantes são ‘pivetes’ mesmo, e eles não poupam ninguém. Eu já peguei dois ou três só este mês tentando assaltar senhoras, e já vi famílias sendo roubadas”. 
Segundo Carlos, um dos fatores que contribuem para essa violência é a iluminação precária, inexistente em vários trechos do bairro. “Isto só facilita a vida dos bandidos”, afirma o segurança, que faz rondas durante a madrugada. Também não há um policiamento ostensivo na região, mesmo contando com uma delegacia nas redondezas, a Seccional do Comércio, na Praça das Mercês.
O vigia ainda ressalta o contraste social na Campina: “aqui você encontra gente rica, que vive bem, no centro da cidade, perto de tudo, e crianças que cheiram cola e prostitutas ganhando a vida”.
MAIS CONTRASTES Bairro marcado pela tranqüilidade, na Campina é fácil encontrar casas centenárias, com moradores idosos, que ainda preservam um hábito, em extinção, de ver o tempo passar debruçados em suas janelas altas. Outro hábito, o de passear na Praça da República, tornou-se tarefa quase impossível para muitos.
Buracos são um dos problemas
 recorrentes em várias ruas da Campina. 
(Foto: Gustavo Ferreira)
O motivo é a forte presença das drogas no local. De acordo com Rosa Maria, é freqüente encontrar pessoas, muitos deles jovens, usando algum tipo de entorpecente: “é o dia todo, principalmente à noite, que eles passam pela frente do prédio cheirando cola ou fumando. Na Praça, eles se concentram, e fica muito perigoso andar por lá quando escurece”.
Na rua Riachuelo há um dos traços mais marcantes da Campina: a presença da prostituição como meio de sustento de diversas mulheres. Vivendo em casas desgastadas com o tempo, a rua é considerada um dos pontos mais perigosos do bairro. O cenário de calçadas irregulares, buracos no asfalto e fachadas quase caídas mostra que o dinheiro que circula nos bancos da Presidente Vargas não passa por ali.
O vigia Carlos conta que a situação na Riachuelo é caótica. “Não tem iluminação boa, nem polícia a noite toda. De vez em quando passa um carro de polícia aqui, mas não dá jeito, tem assalto quase todo o dia. Não só aqui, mas o bairro todo é uma contradição, com gente rica e gente pobre andando na mesma rua”, enfatiza o segurança.
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