Registros da fé: pessoas que ajudam a eternizar o Círio

Um cineasta, uma jornalista e um estudante falam da experiência de contar e guardar a Festa para a posteridade
Gustavo Ferreira
Círio, um momento para eternizar. (Foto: Divulgação)
O Círio de Nazaré é, sem dúvidas, uma das maiores experiências da vida de quem vê a berlinda passar pelas ruas e rios de Belém. Momentos que ficam guardados para sempre na memória de milhões de pessoas. O cineasta Fernando Segtowick fez mais, e fez do seu registro do Círio do ano passado um documentário. “No movimento da fé” (assista ao trailer) foi gravado durante a grande procissão, desde as primeiras horas do domingo, e Fernando pôde acompanhar vários momentos, como a preparação dos voluntários da Cruz Vermelha e o trabalho dos Guardas da Festa.
Fernando acompanha o Círio sozinho desde os 15 anos, e hoje, aos 42 anos, o diretor do premiado curta-metragem “Matinta” (2010) e de outros trabalhos como o curta “Dias” (2000) conta que tentou mostrar em “No movimento da fé” a intensidade da Festa, em especial para os voluntários: “Eles estão ali para fazer o Círio acontecer, mas também se envolvem, se emocionam. Eu queria mostrar essa dualidade de uma operação de guerra e uma procissão de fé, o Círio para mim é isso”.
O cineasta Fernando Segtowick. (Foto: Divulgação)

AO VIVO Além dos milhões de romeiros e devotos que acompanham a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Nazaré pelas ruas de Belém, outros milhões também têm a oportunidade de ver e se emocionar com a procissão pela televisão. Levar o Círio para os lares de todos os cantos do Pará é o desafio de Arcângela Sena. A jornalista trabalha na TV Liberal há 14 anos, e desde 2008 coordena a cobertura da festividade e da grande transmissão do domingo.
“Ao mesmo tempo em que levamos aos milhares de lares paraenses a imagem da devoção e da fé do povo, não podemos nos esquecer de que somos jornalistas e antes de tudo passamos informação. O Círio não é visto apenas por católicos e sim por pessoas de todos os credos, e é justamente esse o grande desafio de fazer uma transmissão imparcial, informativa”, afirma Arcângela, hoje editora-chefe do Jornal Liberal 1ª Edição.
Arcângela Sena, jornalista da TV Liberal. (Foto: Divulgação)
Católica, a jornalista sempre arranja um tempo de ver Nossa Senhora bem de perto, quando a berlinda passa em frente ao prédio da emissora, na Avenida Nazaré: “A gente sempre dá um jeitinho, nem que seja por 30 segundos, tempo de um comentário dos apresentadores ou de imagens com sobe som da procissão”.
PARA TODOS No Círio, a sensação é de que quanto mais pessoas nas ruas, mais há espaço para todos que queiram guardar uma lembrança, sejam profissionais ou não.  Antonio Macêdo é estudante de Publicidade e Propaganda, e fez vários registros fotográficos do Círio 2011 junto com alguns colegas da UFPA. Na ocasião, eles tiveram a oportunidade de acompanhar os grandes eventos do fim de semana, desde o Auto do Círio, na sexta, até o domingo. “Aprendemos a como definir o foco do ensaio fotográfico pra que a gente não saísse fotografando a esmo, estudamos sobre fotografia noturna, abordagem em pessoas desconhecidas, como proteger o equipamento, lanche, água, mochila, tênis e coragem. A saída me rendeu algo em torno de 1000 fotos”, conta.
Antonio Macedo, estudante de Publicidade. (Foto: Acervo Pessoal)
Por motivos pessoais, Antonio não pôde ir à procissão de 2012, e neste ano ainda não sabe se vai conseguir, por conta do TCC. Mesmo assim, ele lembra bem do que captou com a lente de sua câmera há dois anos: “O que eu procurei registrar foi o sentimento. Muitas vezes era a dor, o sofrimento, em outras era a solidariedade, a ajuda, a entrega. Todos os sentimentos pautados em uma coisa maior que pode ser aceita como ‘fé’. Não necessariamente a fé na imagem peregrina, mas a fé no sacrifício, a fé em entender que o sacrifício é necessário pra ‘pagar’ uma benção”.
VEJA ALGUMAS FOTOS DE ANTONIO MACEDO:

E essa fé é maior do que qualquer câmera pode registrar. Na opinião de Fernando Segtowick, o Círio é “a emoção das pessoas, a cidade envolvida por aquela multidão, são muitas imagens, é difícil resumir em uma só”. Para Arcângela, dentre todos os momentos da procissão, um é o mais especial:” eu sempre fico comovida com o final da procissão, quando as pessoas erguem as mãos para pedir a benção de Nossa Senhora. É como se ali, elas depositassem todas as suas esperanças, aflições, pedidos e tivessem certeza de desejos realizados”.
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