De pai para filho

Ser bicolor, para Helder, é herança de família. (Foto: Acervo Pessoal)
Dentre várias paixões que eu tenho (ciência, aviação, carro, mulheres, etc..) duas estão muito ligadas na minha vida: futebol e música. Ambas mexem muito comigo e com o mundo todo, despertando alegria, empolgação, tensão, expectativa, dentre outras emoções.
O Paysandu entrou na minha vida ainda criança (como milhões de adultos por aí) através de meu pai. Maranhense, veio ao Pará com uma mão na frente e outra atrás em busca de emprego e uma vida melhor, e ele, também apaixonado por futebol, foi assistir um jogo em Belém de um time listrado alvi-celeste. Ao ver o jogo e a torcida, não teve dúvidas: eu e meus filhos, se eu os tiver (ele teve três), irão torcer pelo Paysandu Sport Club.
Nasci, fui crescendo e nos domingos à tarde, eu tinha um compromisso com meu pai: Ir a Curuzú assistir o “bicola” jogar. Era época de Dadinho, Mazinho, Luis Carlos, Dema, Vitor Hugo, Oberdan, Edil, time esse que no mangueirão, bateu o São Paulo, recém campeão do mundo no Japão, por 3×0 no início dos anos 90.
Mas os jogos que me marcariam nesta minha história pintada em azul e branco, ainda estavam por vir. O primeiro deles: 24/04/2003. Boca Juniors e Paysandu. O jogo que poderia ser classificado como: Davi contra Golias. Jaspion contra SatanGoss, Mario Bros contra o Rei Bowser Koopa. Enfim. Ninguém acreditava: imprensa, secadOpa… Torcedores de outros times, e até alguns bicolores já estavam satisfeitos pela classificação as oitavas da Libertadores. Papão foi lá e pimba, 1×0 nos argentinos.
Em Belém parecia que o Paysandu tinha ganhado um título. Em plena terça-feira à noite, a torcida tomou a cidade (Ananindeua também), todos comemorando. Porém, tinha mais um jogo: o da volta.
Aí chega meu segundo jogo marcante: 15/05/2003. O dia que o sonho acabou. 55 mil pessoas (eu, mesmo espremido, tava lá), foram numa quinta à noite com greve de ônibus, ver a possível classificação do Paysandu às quartas-de-final, fato inédito no futebol do Norte, Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. 
Como jogo era as 19h, muitos saíram do trabalho para o estádio. Alguns até de gravata e roupa social, traje não muito comum em estádios de futebol. Tinha gente, muita gente. Imprensa de todo Brasil e da Argentina. Tinha gente até nas rampas de acesso do Mangueirão pra tentar ver o jogo, em uma noite em que os sentimentos se confundiam e iam além do futebol: era o orgulho de ser paraense. 
Mas, toda a pressão da torcida não surtiu efeito: Paysandu 2×4 Boca. Estamos eliminados. Fomos do céu até o chão em uma semana. Eu, no momento do apito do juiz, senti uma grande pena porque tão cedo iríamos ver nosso time em uma competição internacional outra vez.
No final do jogo, volto pra casa com meu pai ao volante ouvindo o rádio do carro. Embora aborrecidos, compartilhávamos uma certeza: que o Paysandu foi a melhor escolha que fizemos em nossas vidas. 
HELDER FERREIRA, músico

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