La Bombonera é nossa

Mel Pinheiro, torcedora bicolor. (Foto: Acervo Pessoal)
O ano de 1914 marca o inicio de uma paixão nos campos paraenses. Nesse ano nasceram tanto o Paysandu, meu time do coração, quanto o clássico RExPA, embate máximo do futebol paraense. Como jovem torcedora que sou, presenciei apenas uma pequena parte dessa história. Tempo suficiente, apesar disso, pra testemunhar momentos marcantes. De todos, o que sempre me recordo é a vitória do Papão sobre o Boca Juniors, da Argentina, no temido estádio Alberto J. Armando, conhecido como “La Bombonera”. Um feito de poucos!

O ano era 2003, mais especificamente 24 de abril daquele ano. A competição era nada mais nada menos que a tão sonhada e almejada Taça Libertadores da América. Tá, você pode dizer: “tudo isso porque ele participou da Taça Libertadores?” É, se considerar que muitos times já participaram e o Paysandu seria só mais um deles, essa pergunta, mesmo com tom de recalque, é pertinente. Porém tem um “se”, que faz toda a diferença. Poucos clubes brasileiros venceram o Boca Júniors no tão temido estádio “La Bombonera”, pela competição. Poucos. Apenas Cruzeiro, Santos, Fluminense e, claro, o Papão da Curuzu.
Tudo começou quando o Papão ganhou a extinta Copa dos Campeões, em 2002, e garantiu vaga no maior torneio de clubes das Américas. Detalhe: ele foi o único clube do norte do Brasil a participar de uma Libertadores até agora. Aí ele já sabia que vinha “chumbo grosso” pela frente, mas não se intimidou. Chegou às oitavas-de-final com uma das melhores campanhas da primeira fase.  Mesmo assim, lembro que na semana que antecedia o jogo, ouvia comentários do tipo: “o Boca vai golear esse time”, “ vai ser um vexame pro Paysandu”, entre outros comentários nada otimistas. Mas também ouvi de torcedores confiantes que o Paysandu ia surpreender. Ia vencer o jogo. Na verdade eles profetizavam.
No dia do jogo, eu e meus amigos estávamos ansiosos e nervosos, já que havia todas essas especulações contrárias à vitória do Paysandu na Bombonera. Dificilmente o Boca perdia lá. A torcida do time argentino é conhecida como uma das mais apaixonadas e barulhentas do mundo, fazendo daquele lugar um tremendo caldeirão pulsante, como algumas pessoas denominam, o que intimida qualquer adversário.  Mas sempre acreditamos que o Paysandu venceria.
Pois bem, o técnico era o Dário Pereyra e o elenco contava com grandes nomes que marcaram a trajetória vitoriosa do papão, como: Sandro, Lecheva, Vanderson, Velber, Róbson, mais conhecido como Robgol, entre outros. No primeiro tempo o Paysandu começou logo mostrando que não estava ali pra brincadeira, que podia até perder, mas não seria fácil. Grandes chances de gols desperdiçadas e o nosso coração a mil.
Mas aí no segundo tempo, ele apareceu. 
Se você acha que o esqueci, está muito enganado(a), não tem como esquecer o nome do jogo, o camisa 7:  Iarley. Foi dos pés dele que o único gol da partida aconteceu, no segundo tempo do jogo. Eu já estava quase sem unha, quando o vi receber a bola do lado esquerdo, se livrar dos dois marcadores argentinos à sua frente e chutar com raça, sem chances para o goleiro adversário: GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!!! Gritei tanto que a voz se foi antes do jogo acabar.
Para quem estava acostumado a ver a torcida estremecer La Bombonera com as vitórias do Boca, viu a mesma torcida sair cabisbaixa, sem acreditar no que estava acontecendo.  E olha que o Paysandu estava somente com nove jogadores em campo, já que Robgol foi expulso no primeiro tempo, e Vanderson, no segundo.  Placar final: Paysandu 1×0 Boca Juniors. Um placar magro, mas com um “peso de toneladas”.
O Paysandu não venceu aquela Libertadores, mas deixou sua marca registrada na competição, na memória da torcida do Boca – mesmo que de forma negativa (rs) –, na memória do torcedor brasileiro em geral, e muito mais na memória da apaixonada torcida alvi-celeste, da qual faço parte e que comemorou muito pelas ruas de Belém!

MEL PINHEIRO, jornalista
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