RESENHA: Venceu a Laranja, restou o bagaço


Holanda garante o terceiro lugar da Copa com vitória sobre o que restou da Seleção Brasileira

Gustavo Ferreira
Do banco, Hulk, Neymar e Dani Alves apenas veem mais um vexame. (Foto: Fabrice Coffrini / AFP)
Não foi Claudia Leitte, nem Shakira, nem Ivete, nem Revelação. O tema da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2014 é do grande Bezerra da Silva. Mas quis o destino que a letra da canção fosse bem diferente da alegria que queríamos cantar no final. O sétimo jogo do Brasil no Mundial não foi no Rio, e sim em Brasília. Não valeu a taça, e sim o terceiro lugar. E não vencemos. É como diz o samba de Bezerra: “Acabou a comida, acabou a bebida, acabou a canja. Sobrou pra mim o bagaço da laranja”.

Sobrou para todos nós o bagaço de uma laranja holandesa que precisou de 1/6 de jogo para marcar duas vezes (gols de Van Persie e Blind) e confirmar uma tenebrosa verdade: a humilhação das semifinais não foi um mero apagão de 6 minutos. Foi um apagão de 7 partidas, com rápidos lampejos de futebol iluminado. No fim, aos 46, o terceiro gol de Wijnaldum fechou o caixão. Holanda 3, Brasil 0. O 4º lugar em casa pareceu até mais do que esse time merecia.
Time que, em muitos momentos, atuou como um bando desorganizado, espaçado e sem movimentação, no jogo de hoje no Mané Garrincha. Cheio de reservas, Felipão levou a Seleção em campo tentando buscar motivação de todos os lados após o massacre alemão por 7×1. Neymar estava no banco, a torcida chegou a apoiar, o Hino Nacional foi entoado por mais de 68 mil vozes… Em vão.
Incredulidade. (Foto: Felipe Rau / Reuters)
Logo aos 2 minutos, Robben sofreu uma falta fora da área de Thiago Silva. O juiz marcou pênalti, e Van Persie bateu pro gol. O segundo nasceu de uma jogada pela direita, como quase todas da Holanda, com Robben. A bola voou até a cabeça de David Luiz, que desviou para o meio. Péssima escolha. Blind, absolutamente sozinho, matou, levantou e chutou forte. Aos 16 minutos, perdíamos o jogo, uma vaga no pódio e o nosso melhor jogador.
Ninguém funcionou. Jô foi ineficaz na frente, assim como William. Maxwell não resolveu, Maicon tentou, mas a bola não chegava. Oscar decepcionou. A melhor oportunidade de gol foi de Ramires, aos 13 minutos do 2º tempo. Nossa zaga, dita como o melhor setor brasileiro em campo, levou 14 gols, a pior defesa em uma Copa desde 1986. Júlio Cesar, herói nos pênaltis contra o Chile, saiu como o goleiro mais vazado da história brasileira em 20 Mundiais.
Wijnaldum deu o último golpe na Seleção Brasileira, já nos acréscimos. (Foto: Reuters)
Mais recordes negativos quebrados pelo time de Felipão: a última vez que o Brasil deixou a Copa com saldo de gols negativo tinha sido em 66, quando caímos na primeira fase. A Seleção de 2014 marcou 11, saldo de 3 gols negativos. E a última Copa em que a Seleção perdeu duas seguidas tinha sido a de 74.
De quebra, construímos mais um fantasma. Se antes o Uruguai de 50 e a França incomodavam, viramos fregueses também da Holanda, que nos supera pela terceira vez. Nós só vencemos uma, e nos pênaltis, nas semifinais de 98. Sem falar na Alemanha…
E se acabou a Copa para o Brasil, o mundo inteiro ainda tem uma grande decisão para assistir amanhã, a partir das 17h, entre Alemanha e Argentina. Para nós, é hora de repensar em tudo, principalmente na trilha sonora. Para 2018, na Rússia, eu já tenho uma sugestão: “Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”.

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