Inexplicavelmente azul marinho

Azulina, Milene Sousa homenageia os 110 anos do time do coração com uma crônica especial sobre o que é ser remista

Milene Sousa (2)
Foto: Milene Sousa

Pra que as pessoas perdem seu tempo assistindo futebol? Pra que ver jogo? Pra que pegar aquele sol, aquela chuva, entrar em filas quilométricas pra comprar ingresso só pra ver 11 jogadores em campo? Não foi a primeira e nem será a ultima vez que essa pergunta me foi feita. E nem foi a primeira e muito menos a ultima vez que optei por não perder o meu tempo tentando explicar. Rotina de torcedor de futebol é essa: ser julgado por quem analisa sem viver.

Ser remista então? Pra quê? Por quê? Simplesmente não há porquê. A gente nasce ou aprende, constrói um elo tão forte, e mesmo diante de dificuldades esse elo se torna mais forte ainda. Ser remista é ser teimoso, ser enjoado mesmo, chato, é vibrar, sofrer, quebrar todas as promessas feitas na hora da raiva.

É participar de um Círio a cada jogo, juntar os amigos e puxar aquela corda do amor, da paixão em forma de cantos, gritos, aplausos, bandeiras tremulando; do CD tocando no carro, do radinho ligado, do dinheiro guardado pra comprar aquele novo manto, do desejo em acompanhar o clube até em jogo de peteca (e ver nosso rival nos secar até nisso), de ser mulher e passar aquela maquiagem mesmo sabendo que não vai durar muito tempo no calor, de fotografar aqueles detalhes que só o estádio lotado pelo azul marinho possui. É cansar, mas mesmo assim querer que o outro ‘Círio’ chegue logo.

Tabus, títulos, vitórias, histórias, triunfos. Cada remista carrega a história do clube que com 110 anos conquista mais apaixonados, mesmo diante de sua pior fase. É inexplicável. Amor de remista não é algo que se entende. É algo que se vive, até porque nem o próprio remista consegue explicar.

É uma devoção que não termina. É uma mistura entre sagrado e profano que não cessa, é ser feliz sempre em todos os momentos, inclusive os considerados mais improváveis de achar felicidade. É não estar longe, é acompanhar e fazer valer a pena uma história que não tem e nem terá fim, e esse fenômeno azul que somos.

E não haverá nada que nos separe, tenham a certeza, não largaremos o Remo por nada. É só ele, somente ele, o nosso clube amado. Este sentimento, não tente entender.

BELÉM 400_Fotos cronistas_Milene

MILENE SOUSA, 24, estudante de Comunicação e fotógrafa de estádios

BELÉM 400_Contagem Regressiva REMO

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4 comentários em “Inexplicavelmente azul marinho

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