“O amor não sei explicar…”

Crônica de Milene Sousa sobre o tão esperado acesso do Remo à Série C do Brasileirão.

Milene Sousa

Foto: Salim Wariss
Foto: Salim Wariss

Eram seis horas da manhã quando o meu sono foi embora literalmente. Em alguns casos, o sono sequer deu o ar da graça. Não tinha espaço para ele, não. A ansiedade e o nervosismo se abraçaram e não saíram tão cedo no coração de muitos azulinos espalhados pela cidade. Aquele domingo, o mais esperado, demorava a passar.

Não só o domingo, mas a semana que o antecedia também foi demorada. As filas pelo estádio, lojas e sede não cessaram; os ingressos acabaram rapidamente, e valor do mesmo, entre críticas ou elogios, foi aceito diante do que mais interessava: ver o Clube do Remo jogar. Nada, além disso, era mais importante.

Foto: Milene Sousa
Foto: Milene Sousa

Já eram três da tarde e a chuva apareceu pelo Colosso do Bengola. Ninguém, porém, arredou o pé dali. Música alta, churrasco e cerveja distraíram e ajudaram a passar o tempo. Pedestres, motos e carros buscaram espaço em meio a lama que não era pouca devido ao toró que caiu, fora a enorme desorganização ao redor do estádio. E chegava mais gente. Os ônibus lotados eram muitos. As vans também não, e o engarrafamento era impressionante diante do tempo que faltava para o jogo começar. Muitas pessoas – inclusive eu – cansadas de esperar, desceram dos veículos e foram andando para o estádio.

Foto: Salim Wariss
Foto: Salim Wariss

Mais impressionante ainda foi a torcida que não se calou em momento algum. O time entrou em campo e a cantoria foi ensurdecedora, quem ficou parado não ficou  isento da emoção que foi sentir a arquibancada tremer. Noventa minutos iniciaram. Um, dois, três gols. É inexplicável! Na hora de comemorar aquela bola na rede, torcedores caíram, casais de namorados e muitos outros que nem se conheciam compartilharam ainda mais aquele amor em comum ao se abraçarem. Até crianças choravam e no ombro de seus pais tremulavam as suas bandeiras. Mesmo com o bom resultado, alguns continuavam com as mãos estendidas segurando um terço. A reza em meio ao profano não era pouca. E mesmo com um gol do adversário, o 3 x 1 (aliado ao 0 x 1 fora de casa) garantiu que sete anos de apreensão começasse a se esvair ali.

Remo 3 x 1 Operário - Salim Wariss (2)
Foto: Salim Wariss

Após o apito final, o Mangueirão foi tomado pelos gritos de alegria, as músicas, e as lágrimas de alívio, felicidade e amor. Fim de papo, fim de jogo que na verdade pode ser considerado um reinício. Que seja um novo começo de uma nova fase, uma boa fase.

“E tem quem pense que isso é só futebol…” disse um torcedor ao meu lado. E eu então me questionei ali, vendo todo aquele espetáculo: “Pra quê? Por quê tanto amor?”. A resposta perfeita foi o que a torcida cantou em seguida:

“E quando alguém me perguntar: “por que amar?”, vou responder que o amor não sei explicar…”

Realmente, não se explica. Se vive.

Vem, série C! Estamos esperando você.

Foto: Salim Wariss
Foto: Salim Wariss
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