Do início até agora, o som de Kikito

Repórter E conversou com um guitarrista paraense que, desde cedo, construiu sua trajetória com música, da geração MTV aos clássicos da música brasileira.

Gustavo Ferreira

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Kikito. (Foto: Ludegards Pedro)

Mais do que a herança musical, dos vizinhos de prédio aos irmãos mais velhos, da infância de Luiz Enrique de Paula ficou um apelido, que hoje dá nome a seu projeto artístico, que já rendeu um EP, videoclipes e novas perspectivas: Kikito. O Repórter E conversou com ele, que voltou às suas origens nos tempos de MTV, o começo na guitarra – seu instrumento de vida – e o atual trabalho, Aquela Velha Canção, Cultivei em Movimento, lançado em 2016.

Para entender a verve musical do jovem, vamos voltar até a transição dos anos 90 para os 2000. “Eu tenho dois irmãos mais velhos, com uma diferença de cinco anos cada um. Nós moramos a minha infância toda num prédio, onde existia uma banda que ensaiava na sauna. Ela era composta por alguns moradores e amigos, que tinham entre doze e quinze anos. Eu cresci vendo aquilo. Eles tocavam tudo que tava na MTV da época: muito Nirvana, Oasis, Offspring, Green Day, Blink 182, Foo Fighters e depois iam andar de skate. Com certeza isso me influenciou muito!”, lembrou o guitarrista.

Ele ainda lembra que, em casa, a escola musical tinha outras referências: “O meu irmão dez anos mais velho e meu pai, que já tinham um gosto mais refinado, escutavam no último volume muito rock antigo nacional e internacional, MPB, de tudo um pouco. Minha mãe escutava muito Chico Buarque, Cazuza, Legião Urbana, Marisa Monte e Tribalistas. Com certeza tudo que ouvi, desde essa época até agora, tem algum tipo de influência no meu som”.

A partir daí vieram, com sete anos de idade, os primeiros riffs de guitarra – “aqueles que todo mundo aprende: ‘Come as you are”, do Nirvana, por exemplo –, o primeiro violão aos nove anos, e aos doze um encontro mais que casual: “Virei vizinho dos caras que toco junto até hoje, os irmãos Rubens Guilhon (Joana Marte) e o Jaime Coutinho (baixista do meu projeto) . Entrei na casa deles, tinha bateria eletrônica, vários violões, guitarras, me encontrei no paraíso”.

Depois de alguns anos e de fazer parte da banda Dublin, Kikito chegou em 2016 buscando grana para reativar o projeto, e foi assim que conheceu outra pessoa fundamental para a construção do seu trabalho atual. “Eu estava acompanhando a gravação e produção do Marcel Barretto, na faixa de um amigo meu de infância, o Matheus Bahia. A minha ideia era dar as minhas composições pro Matheus cantar e tentar gravar a minha banda. Quando mostrei as minhas músicas pro Marcel, ele não aceitou que elas fossem gravadas por outra pessoa que não fosse eu, peguei o dinheiro do álbum pra pagar as masterizações do meu EP e daí surgiu esse projeto”, diz Kikito.

Nascia, então, o EP Aquela velha canção, cultivei em movimento, lançado em outubro e disponível em várias plataformas, como Spotify, Deezer, Soundcloud e Youtube, primeiro da carreira do guitarrista, obcecado pelo instrumento, que também assumiu os vocais. As três faixas ficaram prontas em não mais que uma semana.

PLAY | Clipe de “Cultivei”, de Kikito

“Nesse EP, eu peguei todas as músicas que compus na minha adolescência e selecionei as três que percebi que eram mais fortes e honestas. Mostrei pro Marcel e a mágica aconteceu”. Essas três faixas formam o título do trabalho: “Aquela canção”, “Cultivei” e “Em movimento”, e  para Kikito “são uma janela para um universo particular que ao ser aberta para o mundo, nos leva a uma dimensão que depende da interpretação e do sentimento que desperta em cada um. É uma parte de mim que tem necessidade de ser compartilhada e eternizada”.

De certa forma as canções reúnem um pouco do que ele ouviu nesse tempo todo… Mas Kikito se permitiu abrir a mente e os ouvidos: “No período de produção do EP, além de não termos procurado referências, apenas fazendo o que nos agradava, eu estava ouvindo coisas bem diferentes dessas duas bandas”.

O Aquela velha canção já rendeu dois clipes, shows, mas 2017 já começou e com ele novos projetos à vista para Kikito: “O plano é tocar ao vivo até o dedo cair, tentar viajar e lançar um álbum com as letras que venho escrevendo dos 18 anos pra cá, confesso que já amo elas do fundo do coração”.

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