Pnk Sabbath, o brilho noturno do underground da cidade

Com seu primeiro EP, The Night Glow, Pnk transforma a noite em inspiração para sua arte, provoca e quer sempre mais fazendo música eletrônica em Belém

Gustavo Ferreira

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Pnk Sabbath. (Foto: Marcos Rossas)

Pnk Sabbath não é cantor, não é músico, nem compositor ou ator. Ele é tudo isso e mais. É som e imagem de um artista que se lança agora na cena eletrônica de Belém. Seus holofotes estão nos palcos underground da cidade, iluminando suas performances do primeiro EP, The Night Glow, lançado em janeiro. Como ele mesmo diz, “um EP noturno, de noites loucas e pra pessoas loucas”. Pnk se apresenta pela festa, pela loucura e por representatividade gay na música paraense, que tem sim, seus palcos e seu brilho.

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Arte do EP The night Glow.

A construção artística de Pnk Sabbath, desde cedo, caminhou com sua construção de personalidade. A pessoa é o artista, sem divisas nem fronteiras. E o conceito desse ego de Pnk é literalmente uma mistura dicotômica de si: “Sempre houve esse contraste entre o pink e o sabbath (“sábado”, dia sagrado para os judeus), o delicado e o agressivo, sagrado e profano. Pnk é uma parte de mim desenvolvida como autodefesa, uma carga violenta de atitude pra proteger minha fragilidade”.

Essa fragilidade se transformou em música para Pnk, como em várias das referências dele, como os clássicos do blues e Jim Morisson, ídolo desde a adolescência: “me viciei em The Doors e na habilidade do Morrison em falar do que o fazia infeliz, ele cantava sobre a tristeza como um anjo e eu queria fazer aquilo também”, conta o cantor, que completa: “a beleza existente por trás da tristeza sempre foi o que mais me inspirou, todos os artistas nos quais encontrei isso me marcaram de alguma forma”.

GALERIA | Pnk Sabbath

E por esses caminhos Pnk seguiu, também marcado por referências oitentistas, como Madonna e Nancy Sinatra, artistas que também compunham a atmosfera melancólica da cidade. A partir de todas essas vivências e inspirações nasceu o EP The Night Glow. Lançado na internet em janeiro deste ano, o projeto tem três canções produzidas em uma semana, com o incentivo do produtor musical Marcel Barretto e de outro parceiro de Pnk: Rafael Lima, ou Kid From Amazon: “Eu posso afirmar que ele é minha maior influência, ele me ensinou a produzir e literalmente me inseriu no universo da música. O Kid produz como ninguém, tem um ritmo único que é amazônico, mas também é um pop super experimental. Temos uma relação de troca artística muito forte. Eu realmente sou perdidamente apaixonado pelo trabalho desse garoto”.

OUÇA | EP The Night Glow (2017), de Pnk Sabbath

O The Night Glow, além de rodar na web, já foi apresentado em reuniões, festas, no underground mesmo. E para Pnk é essa a essência do seu trabalho: “Eu realmente queria que o EP fizesse parte do imaginário noturno da cidade, e fico muito satisfeito em dizer que consegui. Toquei em várias festas e o pessoal pirou, todas as apresentações foram muito marcantes, me senti muito confortável apresentando esse trabalho na noite e consegui sentir uma troca enorme com o público,  de uma maneira tão intensa que jamais tinha sentido antes”.

Assim, no escuro, o brilho noturno do seu trabalho vai brilhar ainda mais em 2017. Em abril já tem clipe saindo, e a ideia é produzir um para cada faixa do EP, além de outros palcos em mente. Mas o grande plano de Pnk Sabbath é ser diferente, abrir espaços, libertar: “Sou um dos poucos viados no cenário musical dominado por héteros. Tô nesse desafio de abrir um espaço de representatividade pras bixas que se encontram sem voz pra cantar no Estado. Pra mim é muito importante conseguir cada vez mais espaço, porque esse espaço esta quase exclusivamente ocupado por heterossexuais. Precisamos de mais bixas na música,  precisamos de mais inspiração pra tantos viados que vivem no Norte em meio a uma situação de opressão,  sem saber que podem gritar por seus direitos,  conquistar seu espaço e mostrar seu brilho. Precisamos de um viado estranho tocando nos festivais, ocupando as rádios e colocando a face na tela da televisão, e eu sinto que é pra isso que estou aqui. Sou o primeiro de muitos, pode anotar isso! Daqui com um tempo as bixas vão ter dominado o cenário artístico do Pará, porque querendo ou não todos sabem que a gente é muito mais babado”.

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