Osga 2017 em cartaz

Produções sobre visibilidade de travestis e transexuais e sobre amores virtuais estão entre as finalistas do festival, que chega à sua 14ª edição; semana de exibição começa amanhã (12)

Gustavo Ferreira

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Osga chega à 14ª edição em 2017. (Foto: Gustavo Ferreira/Acervo Repórter E)

O que começou como uma paródia de fim de ano, em sala de aula, hoje é a maior premiação audiovisual do Estado. Realizado Pela Universidade da Amazônia, o Festival Osga, que em 2017 chega à sua 14ª edição com o tema “Admiráveis Telas”, mais uma vez abre espaço para que os novos produtores de audiovisual daqui, ainda na universidade, criem curtas-metragens, vídeos-minuto, vídeos publicitários… Que criem! E que o público veja também, afinal, desde o ano passado a organização ampliou o espaço das mostras dos filmes, e a partir de amanhã (12) até o dia 15 vai exibir as produções homologadas. Serão 31 vídeos, em várias categorias, com exibição gratuita no Cine Olympia.

No sábado (16) serão conhecidos os melhores nas categorias curta de ficção, minidocumentário, vídeo-arte, vídeo minuto e vídeo publicitário, e também serão entregues onze prêmios para os finalistas na categoria curta de ficção: Melhor Trilha Sonora, Melhor Edição, Melhor Direção, Melhor produção, Melhor Ator, Melhor Atriz, Melhor Roteiro, Melhor Figurino, Melhor Campanha de Divulgação, Melhor Cartaz e Melhor Fotografia. No dia seguinte (17) os vencedores serão exibidos.

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Dentre as produções participantes do Osga 2017 alguns temas vão (e precisam) ser expostos. Um deles é o preconceito e a invisibilidade de travestis e transexuais. É pela história da Mikaela, transexual recém chegada a Belém, que o filme Manas Kill vai tratar desses assuntos. O curta de ficção foi produzido pelo Coletivo Cyn Produções, formado por estudantes da Universidade Federal do Pará.

O grupo já venceu dois prêmios na edição 2016 do festival (melhor minidocumentário para Viva o Auto, e melhor fotografia para o curta Eu Tô Bem), e neste ano ainda está na disputa na categoria minidocumentário, com a produção À Luz do Dia, também sobre preconceito e transfobia, mas falada por transexuais e travestis aqui de Belém.

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Edielson Shinohara. (Foto: Joice Ribeiro)

O diretor do curta e do documentário, Edielson Shinohara, fala da necessidade de mais abertura do cinema e audiovisual para todas essas temáticas: “Na verdade existia uma precariedade de produções com temáticas do tipo. Falar sobre protagonismo e representatividade de grupos minorizados, por muito tempo não era do interesse público, e por isso não se produzia conteúdo suficiente. Hoje isso começou a mudar e a cada dia se faz mais necessário inserir esses debates no cinema”.

Sobre o doc À Luz do Dia, Shinohara conta que o resultado foi menos fruto de um roteiro e mais um filho do processo de gravações: “Existe sempre uma base, que não é absoluta, afinal, quase sempre os melhores acontecimentos surgem de imprevisto, e por isso estamos sempre atentos na hora das gravações, e foi exatamente o que aconteceu durante a criação do documentário. Entre uma gravação e outra, as nossas personagens começaram a brincar como se estivessem apresentando um talk show, e nós caímos na gargalhada, achamos massa e trouxemos isso pro trabalho final. O resultado ficou prazeroso, pois deu leveza ao tema”.

AMOR ON LINE

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Cartas do filme E-Namorados.

Imaginem uma relação construída e alimentado por telas. Entre o Brasil e a Espanha, duas pessoas que se conheceram on line e constroem um vínculo à distância… Mas o que é distante, quando tudo está perto, a um clique, a uma tela? A discussão sobre a presença de imagens e ausência do ser está na essência do curta E-Namorados.

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Nancy Araujo. (Foto: Acervo pessoal)

“Eu vejo essa profusão de telas como algo já incorporado e naturalizado no cotidiano de todos nós. Sabemos que a tecnologia aliada a internet passou a interferir também no comportamento das pessoas e na forma como elas constroem suas vidas. As telas estão o tempo todo mediando os relacionamentos e, se por um lado isso oferece a possibilidade de “encurtar” distâncias, por outro, pode favorecer a imersão em um estilo de vida tão conectado, capaz de dominar os hábitos dos indivíduos a ponto de torná-los espectadores da vida por meio da tela, afastando-os até mesmo das pessoas que convivem com eles face a face. É preciso saber dosar”, aponta Nancy Araujo, diretora do curta.

Ela também explica que “o enredo do curta é leve, divertido e despretensioso, então a intenção não era fazer uma crítica ao mundo conectado ou aos relacionamentos à distância, mas eu acredito que é possível refletir sobre o assunto, pois a história reflete muito do que as pessoas vivem na realidade e isso revela os lados positivos e negativos desse tipo de relacionamento”.

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Miller Farias. (Foto: Jonas Amador)

A realização do filme é de estudantes da UFPA, como Nancy e o roteirista/produtor Miller Farias. Ele fazia parte do Coletivo Palafita, que levou cinco prêmios no Osga 2014, incluindo o de melhor filme com Diário Íntimo (2014), e diz o que mudou nele como produtor audiovisual de lá pra cá: “O Diário Íntimo foi a minha primeira experiência no audiovisual e foi feita de forma totalmente intuitiva. Talvez tenha sido por isso que deu tão certo, porque foi feito na emoção. Eu tinha um conhecimento (muito) básico de fotografia e confiava mais no meu senso estético. Agora eu sinto que tenho uma base de conhecimentos maior, o que me dá mais segurança de produzir”.

PRA FRENTE

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Lucas Moraga. (Foto: Otávia Castro)

Centenas de filmes já foram exibidos, dezenas foram premiados, e muita gente por trás das câmeras e a frente delas também, está construindo trajetórias sólidas depois de serem premiadas no festival. Por exemplo, o cineasta Lucas Moraga. Produções dirigidas por ele venceram as principais categorias nas duas últimas edições do Osga (Pôr da Terra em 2015, Pretas em 2016). Onze prêmios conquistados no Osga depois, ele já teve o prazer de ver seus filmes e documentários sendo exibidos e premiados fora do Pará, e segue tocando o barco (o filme Pretas, por exemplo, foi o episódio piloto de uma websérie em produção).

Na opinião de Lucas, o Osga é, além de uma vitrine, um grande estímulo pra quem tem ideias na cabeça e câmeras na mão, como ele: “O festival me ajudou a buscar conhecimento, a me apaixonar por algo que ainda nem sabia direito o que era. Com os anos de competição, a maturidade veio aos poucos e hoje sou extremamente grato ao Osga pela oportunidade e por incentivar tantos como eu a se apaixonarem pelo cinema e começar uma carreira nele”.

PLAY | Reveja Pretas (2016, Dir.: Lucas Moraga)

Sobre a abertura do festival para discussões sobre representatividade, o cineasta alerta que o discurso precisa de profundidade: “é necessário se tomar muito cuidado para não ser apenas o que a gente chama de ‘close’ e não ter um objetivo central e bem conciso. É preciso falar sobre todos esses assuntos. Close é legal? Demais! Mas close com base de pesquisa, com muito estudo e preparo é melhor ainda. Tendo tudo isso o close vai ser certo sem dúvida”.

SERVIÇO | OSGA 2017

Data: Mostra de 12 a 15 (Mostra dos filmes homologados), 16 (Premiação) e 17 (Reexibição dos filmes vencedores e Mostra Osga na Escola)
Local: Cine Olympia (Av. Presidente Vargas, em frente à Praça da Sereia)
Hora: Mostra 18h30 (entrada gratuita) | Premiação 17h30 (para convidados) | Reexibição 17h30 e Osga na Escola (entrada gratuita)
Veja a programação completa AQUI

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